A diferença entre agentes de IA, assistentes de IA e bots
Vou tentar esclarecer e mostrar a diferença e a relação entre eles:
Um agente de IA é um programa de software que utiliza inteligência artificial (IA) para executar tarefas e atingir objetivos de forma autónoma e que geralmente utiliza a intervenção humana de forma muito reduzida. Vou dar alguns exemplos práticos que já utilizamos e que todos conhecemos. Aspirador do tipo Roomba, que ao usar a algoritmos de IA, percebe o “ambiente” usa sensores e câmeras, toma decisões com base nos dados recolhidos quando mapeia a casa ou uma divisão da casa, (existe um primeiro passo que identifica obstáculos, define rotas de limpeza e desvia-se de objectos), este equipamento executa ações como aspirar, retornar à base para recarregar ou esvaziar o depósito e até aprende com o uso, ajustando rotinas e mapeamentos conforme a experiência. Outro exemplo são veículos de condução autónoma, como o Tesla, mas também os veículos que auxiliam no estacionamento ou estacionam sozinhos, por fim e como exemplo temos as denominadas Máquinas de lavar inteligentes que ajustam ciclos de lavagem com base no tipo e quantidade de roupa, podendo ser programadas remotamente pelo envio de uma ordem por smartphone. Mas cada vez mais vamos encontrar no nosso dia-a-dia agentes de IA e por vezes nem nos apercebemos da sua dimensão e implementação.
Já os assistentes de IA foram criados como aplicativos ou produtos para colaborar diretamente com os utilizadores para realizar tarefas, entendendo e respondendo a questões que podem ser colocadas numa linguagem natural humana. São exemplos os assistentes virtuais (ex: Google Assistant, Alexa, etc.) que permitem organizar agendas, controlam dispositivos, respondem perguntas e automatizam tarefas domésticas. Acrescento que a tendência é que cada vez mais eletrodomésticos incorporem IA, tornando-se verdadeiros agentes inteligentes no ambiente doméstico.
Por fim, os bots, ou robots de software, são programados e projetados para realizar tarefas específicas de forma automatizada, semelhantes à atuação de um robot físico, mas no ambiente digital. São exemplo de Bots o preenchimento de formulários, extração de dados, envio de e-mails, mas também entre outras tarefas a realização de tarefas de marketing, atendimento ao cliente e até mesmo em atividades maliciosas, como espalhar vírus. Podemos dizer em resumo, que os “Bots” ou robots de software são ferramentas poderosas que podem otimizar processos, aumentar a eficiência e reduzir custos em diversas áreas, desde a assistência pessoal até o ambiente empresarial. Actualmente, é provável, que todos os bancos em Portugal e uma grande parte do contacto que é realizado com grandes empresas têm um atendimento quase exclusivamente feito por “Bots”, o que muitas vezes se torna irritante e desesperante.
Recapitulando:
- Um Agente de IA é o conceito mais vasto dos avanços da Inteligência Artificial, podemos até considerar uma entidade autónoma que percebe e age em conformidade com os objectivos e sem intervenção humana, ou com uma intervenção mínima.
- Um Assistente de IA é um tipo específico de agente de IA, focado em ajudar e interagir com utilizadores humanos e que por norma interage com uma linguagem natural.
- Um Bot é um programa automatizado para executar tarefas. Embora muitos bots incorporem IA (como chatbots inteligentes), nem todos os bots são agentes de IA ou assistentes de IA, e nem todos os agentes de IA ou assistentes de IA são meros bots. Como vemos por exemplo nos sistemas de atendimento.
Os Assistentes de IA são agentes de IA ?
Podemos dizer que sim, os Assistentes de IA são um tipo de Agente de IA. Porém, existem diferenças, um assistente é projetado para tarefas específicas e interações mais diretas com os utilizadores, enquanto os agentes de IA podem ser mais autónomos e lidar com tarefas mais complexas. Por norma os Agentes de IA possuem Sensores (como câmeras, microfone, teclado, etc.) que recolhem informações do ambiente (físico ou digital), têm uma capacidade de Processamento (mecanismo de raciocínio) que lhe permite analisar os dados recolhido, toma decisões e planeia acções (software / hardware) e por fim possuem Actuadores que executam ações no ambiente para executar seus objectivos predeterminados.
Podemos sintetizar: Agente = programa + arquitectura
- Programa: Uma função que relaciona as entradas (inputs), normalmente realizada pelos sensores e as acções ou saídas (outputs).
- Arquitectura: processo de execução dos programas do agente.
As propriedades de um Agente de IA
- Percepções
- Acções
- Objectivos
- Ambiente
O melhor das duas interacções da IA
Podemos dizer que Assistentes e Agentes de IA não são concorrentes e mais com funções complementares. Os agentes são ideais para tarefas autónomas, enquanto os assistentes têm um papel importante na interação com os seres humanos. Ao entendermos a diferença técnica e prática entre ambos, é essencial para desenhar e criar soluções eficazes e transformar ideias em realidade.
A resposta é que os assistentes de IA geralmente são incorporados ao produto que está a ser usado. Uma característica importante é a interação entre o assistente e o utilizador nas diferentes etapas de uma tarefa. O assistente responde a solicitações ou comandos do utilizador e pode recomendar acções, mas a tomada de decisão é feita pelo utilizador.
Resumindo sobre o que é um Agente de IA: é uma aplicação prática que percebe, decide e age autonomamente, representando uma instância específica da tecnologia de IA, percebendo o ambiente, processam informações, tomam decisões e agem, aprendendo de forma continua para optimizar os resultados.
Principais perigos associados aos agentes de IA
Armas autónomas destacam-se pela negativa como uma ameaça existencial e um perigo iminente. Este tipo de sistemas de IA podem tomar decisões letais sem intervenção humana, escalando conflitos de forma imprevisível, mesmo que os humanos estabelecem metas e objectivos, um agente de IA escolhe de forma independente as melhores ações que precisa realizar e atingir essas metas. Desse modo, podemos ter um agente de IA redirecionado para fins bélicos, como o uso de algoritmos de aprendizagem profunda em combate aéreo ou na síntese de armas bioquímicas, demonstrando como a tecnologia pode ser desviada para fins contra o próprio ser humano maliciosos (veja o filme Slaughterbots em https://youtu.be/O-2tpwW0kmU?si=DF4TA01Kq2fT1rNe). Questão a pensar: existe actualmente um falta de consenso internacional sobre regulamentação e o fabrico destes Agentes de IA, mas é muito provável que existam países a desenvolver sistemas autónomos bélicos e sem que existam salvaguardas éticas.
Desinformação e manipulação social em que Agentes de IA produzem conteúdos falsos e manipuladores criando “Deepfakes”, noticias, comentários imperceptíveis dos reais, facilitando campanhas de desinformação como nas eleições do EUA em 2025 (Elon Musk partilha vídeo deepfake de Kamala Harris ver em: https://www.youtube.com/watch?v=bQKfux6nUio).
Os Agentes de IA podem criar problemas no mercado financeiro, manipulando outros sistemas, desregulando-os e criando vieses. Criando malware sofisticado, difícil de serem detectado, realizando ataques de phishing, invasão de privacidade, etc.
Sintetizando: Agentes de IA podem trazer muitos benefícios, mas também podem criar imensos perigos, quer na segurança, na manipulação social, na privacidade, no impacto económico e financeiro, na sociedade de uma forma geral. Pior, é que existe muito pouca legislação que possa mitigar e alertar para os perigos que poderão ser uma verdadeira ameaça.

Mas como são os Agentes de IA diferentes dos LLMs
Podemos dizer que a grande diferença é que a nova “geração” de Agentes de IA vai para além da geração de texto, mesmos usando a cadeia de pensamento ou chain of thought (CoT), contudo, baseiam a resposta nos dados de treino nos LLMs. A tipologia de Agentes de IA é conseguirem aceder e ler dados externos, perceber o “ambiente” e executar acções em tempo real.
Na saúde, por exemplo, os agentes de IA, que podemos dizer será a próxima transformação na IA, em que se compararmos com a IA existente (vamos pensar na geração actual de chatbots), a denominada IA “Agêntica” ou criada com Agentes de IA, é capaz de realizar tarefas muito mais complexas e com uma interação humana mínima.
Para dar um exemplo simples, um algoritmo de IA não agêntico baseia a sua capacidade e visão computacional a que tem acesso por via da aprendizagem do modelo. Já um Agente de IA bem elaborado e com determinados objectivos. pode ser utilizado para realizar uma análise mais detalhado, ou seja, ler e comparar imagens médicas (como: Raio-X, TAC, e RM entre outros) e detectar sinais precoces de cancro ou de outras patologias. Mas não só, uma IA “Agêntica”, poderá cruzar as imagens médicas, com outros dados clínicos, como análises, historial do paciente, etc. e desse modo criar um relatório muito mais completo e detalhado para um médico ler analisar e estar na posse de mais informação e, eventualmente, agendar uma consulta de especialidade e tudo sem envolvimento humano.
Nota: Apesar de ainda ser pouco falado em Portugal, muitas pesquisas académicas estão actualmente a ser realizadas em diversas partes do mundo, em que a utilização e compreensão do impacto da IA “agêntica” na área da saúde e como a classe médica pode utilizar e compreender com segurança o seu impacto. Na minha opinião, poderá ser um grande contributo no avanço na forma como os cuidados médicos podem ser prestados.
Um Pensamento: O Futuro dos Agentes de IA na Saúde
É muito provável que até 2030 possamos esperar que a IA agêntica tenha mudado radicalmente a forma como a saúde é prestada, gerida e, direi mesmo, experimentada pela classe médica.
Em termos globais e pela forma como são abordadas as capacidades e potencialidades na área da saúde, já se compreendeu a importância de migrar de um atendimento reativo para um preventivo. Os agentes de IA irão poder interagir de forma proactiva com dispositivos wearable (como smartwatches) e sensores domésticos que possibilitaram uma intervenção muito mais precoce, quando são detectados sinais de alerta.
Esta visão, possível nos próximos anos, como um “ecossistema agêntico”, que pode oferecer um atendimento totalmente personalizado, ajustando o tratamento em resposta aos dados do paciente. O que possibilitará um alívio na carga de trabalho aos profissionais clínicos, em que muito menos tempo será gasto a preencher formulários, a rever notas ou a perder tempo com trabalhos burocráticos e mais tempo pode ser efetivamente usado nas competências médicas, melhorando desse modo os cuidados prestados aos pacientes.
É claro que tudo isto depende da sociedade e da classe médica (que normalmente não se mostra muito disponível para aceitar nova tecnologias, especialmente relacionadas com a IA), compreender o impacto que os agentes de IA podem aportar como benefício e estabelecer as bases para um amanhã melhor, seguro e com vantagens para os humanos.

Tipos de Agentes de IA
| Tipo | Característica Principal | Exemplo Prático |
| Reflexo Simples | Reagem a estímulos com base em regras fixas | Termostatos inteligentes |
| Baseados em Modelo | Mantêm um modelo interno do ambiente | Sistemas de navegação |
| Baseados em Objetivos | Tomam decisões para atingir objetivos específicos | Planeadores de tarefas |
| Baseados em Utilidade | Escolhem ações que maximizam a utilidade ou desempenho | Sistemas de negociação autónoma |
Mas estamos mais próximos da Inteligência Artificial Geral (AGI)?
Por enquanto não. A Inteligência Artificial Geral (AGI) refere-se a sistemas capazes de compreender, aprender e executar qualquer tarefa intelectual humana, com flexibilidade e generalização cognitiva. Actualmente, os agentes de IA são altamente especializados e eficazes em tarefas específicas, mas ainda não atingem a versatilidade e autonomia plena da AGI.
Todavia, os avanços recentes — especialmente na autonomia dos agentes, integração de grandes modelos de linguagem (LLMs), colaboração entre sistemas e capacidade de aprendizagem contínua — são vistos por especialistas como passos importantes em direção à AGI. Pesquisas indicam que há uma chance significativa de alcançarmos máquinas com inteligência comparável à humana entre 2040 e 2061, com previsões mais otimistas apontando para datas até 2040 ou talvez um pouco antes.
Podemos concluir que “Agentes de IA podem representar um passo na direção da AGI”, pois conseguem executar tarefas de forma mais independente dentro de contextos definidos — ainda assim, muitos ainda afirmam que estamos longe de alcançar a AGI.
Conclusão e ao que é a actualidade
Os agentes de IA oferecem vantagens tangíveis em eficiência e inovação, mas apresentam diversos riscos, como armas autónomas e as falhas de segurança o que exige estruturas éticas robustas. Assim sendo, o equilíbrio entre adopção tecnológica e a mitigação de perigos, dependerá de regulamentação internacional, supervisão humana contínua e transparência no desenvolvimento, algo que tem faltado.
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