Os perigos do reconhecimento facial

O reconhecimento facial é uma situação que passa a fazer parte do sistema de reconhecimento entre os cidadãos chineses, seja para poder utilizar a Internet, ou utilizar sistemas de crédito em Pequim.

Foi noticia quando em 2019 a China intensificou sua censura na Internet, exigindo que seus cidadãos passassem num teste de reconhecimento facial para poder usar serviços da Web. As pessoas que desejam ter a Internet instalada em casa ou em seus telefones devem ter seus rostos digitalizados pela autoridade chinesa para provar suas identidades, de acordo com um novo regulamento.

Este controlo de quem somos, do nosso comportamento e mesmo da nossa mobilidade por onde andamos (localização), entrará em vigor em 1 de Dezembro de 2019, podendo-se, assim, classificar os cidadãos chineses com base em seu comportamento diário. Parece um filme de ficção cientifica, mas não é.

Actualmente um cidadão chinês apenas precisa de mostrar seu cartão de identificação enquanto solicita um telefone fixo ou a Internet, o reconhecimento facial já lá está presente, podendo-se de imediato traçar e verificar quem é quem. Em Portugal, existem já alguns bancos que efectuam o reconhecimento facial, para verificar se é efectivamente a pessoa que está a fazer a operação (foi noticia nos órgãos de comunicação social, que o Banco Carregosa já permite ‘autenticação’ com reconhecimento facial).

Foto do Banco Carregosa

Este é um facto que se pode generalizar e acontecer em muitos bancos daqui por uns anos, como está a acontecer na China. É vulgar dizer-se que tudo na vida tem coisas boas e más. Como é alegado e justificado na China em que este procedimento é uma medida que pode ajudar a melhorar a segurança da Internet no país e combater o terrorismo. Esta será a parte boa, mas a parte má é o controlo e perca de privacidade…ou a que nos resta.

Os cidadãos chineses também estão proibidos de revender seus cartões SIM, para impedir que utilizadores não registados possam efectuar chamadas de telefones móveis denominados descartáveis.

A China tem vindo a construir o maior sistema de vigilância de reconhecimento facial do mundo.

Ao estilo de um “Big Brother” que é alimentado por centenas de milhões de cameras colocadas na e com possibilidade de serem analisados em tempo real por sistemas de Inteligência Artificial (IA), com o objectivo de identificar qualquer cidadão (Chinês) em apenas três segundos.

Com uma população que ronda os 1.4 mil milhões, a china tem actualmente instaladas cerca de 626 milhões de monitores de rua (muitos deles com funções de reconhecimento facial), já no próximo ano, segundo algumas pesquisas, todo este avanço tecnológico poderá estar a funcionar nas principais cidades chinesas.

Os críticos, no entanto, manifestaram preocupação com o sistema, alegando que é uma maneira de o governo invadir a privacidade dos cidadãos e restringir a sua liberdade. Muitos também o compararam a um sistema distópico dirigido por um líder estatal fictício, o “Big Brother”, como no romance de George Orwell – 1984.

De acordo com Paul Bischoff, investigador e pesquisador sobre tópicos de vigilância, disse anteriormente a um jornal: ‘A China está adoptar vigilância de CCTV como um meio de monitorizar os movimentos da sua população em larga escala.

De facto, os sistemas de CCTV instalados (leia-se camaras de vigilância) na China podem, e segundo alguns, não apenas para impedir o crime, mas também para impor normas e comportamentos sociais que o governo chinês aprova.

A rede de vigilância da China também apoia o sistema de crédito social do país, que classifica seus cidadãos com base em seu comportamento diário.

Quando concluído no próximo ano, o sistema nacional poderá determinar com facilidade um cidadão que pode alugar um apartamento, obter um crédito, comprar passagens ou pagar mesmo pagar uma refeição.

De acordo com o jornal estatal chinês Global Times, este sistema ajudará o país a restaurar a moralidade!

Este futuro de controlo da privacidade, a protecção de dados, a partilha da localização (nos dispositivos móveis), não é uma questão do futuro, sendo antes, uma questão actual e dos dias de hoje.

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